Descubra 8 equívocos comuns na compra, lavagem e armazenamento da alface

A alface, consumida crua, requer uma seleção cuidadosa e um processo rigoroso de limpeza para assegurar a segurança alimentar (Foto Arquivo)

 

Considerada uma das folhas mais populares nas saladas brasileiras, a alface exige atenção especial na escolha e no armazenamento, fatores que afetam diretamente sua crocância e sabor. A limpeza adequada é fundamental para eliminar microrganismos, prevenindo possíveis problemas de saúde.

Manuela Dolinsky, professora do Departamento de Nutrição e Dietética da Universidade Federal Fluminense (UFF), destaca: “Os cuidados apropriados são cruciais para garantir tanto a segurança quanto a qualidade nutricional do alimento, como orientado pelos guias de higiene e manipulação de hortaliças”.

Dario Centurione, que gerencia o perfil de dicas SOS Alamanaque, acrescenta: “Por ser consumida crua, sem passar por cozimento que poderia reduzir os microrganismos, é vital prestar atenção na seleção, lavagem, higienização, secagem e armazenamento da alface para assegurar sua segurança”.

Para garantir que suas saladas não apresentem folhas murchas ou deterioradas, conheça os principais erros a evitar:

1. Escolher alface apenas pelo tamanho ou preço

Muitas pessoas selecionam alfaces baseando-se em características como volume ou preço, mas essas não são as melhores opções. Segundo Manuela, “isso pode levar à compra de alfaces com folhas murchas, amareladas ou danificadas, o que indica deterioração e aumenta o risco de contaminação microbiológica”.

Samuel Wesley Alves da Costa, professor de gastronomia no Senac São Paulo, complementa que alguns consumidores se concentram apenas no tamanho do pé sem observar as folhas internas. As melhores folhas devem ser firmes, limpas e intactas, com textura crocante e coloração adequada à variedade. É essencial também verificar a ausência de manchas escuras ou odores desagradáveis.

O talo deve ser verde-claro e firme; nunca murcho ou excessivamente mole.

2. Ignorar as condições de venda

Um erro comum é não considerar a origem do produto e as condições em que está sendo vendido. A nutricionista recomenda observar a localização da venda do alimento e verificar aspectos como iluminação e temperatura.

“Alfaces expostas ao sol direto ou sem refrigeração adequada podem perder rapidamente suas propriedades nutricionais e estarem mais vulneráveis à contaminação”, explica Manuela.

3. Lavar a alface apenas com água

A simples lavagem em água corrente não é suficiente para eliminar microrganismos. Outros métodos inadequados incluem o uso de bicarbonato de sódio, detergente ou vinagre — que não são eficazes na sanitização dos alimentos.

Segundo Manuela, “uma higienização imprópria pode resultar em contaminações por microrganismos associados a doenças como hepatite A e infecções intestinais”. A recomendação é utilizar hipoclorito de sódio específico para alimentos: uma colher de sopa para cada litro de água por cerca de 10 minutos.

4. Desconsiderar etapas cruciais da higienização

A nutricionista ainda sugere cuidados adicionais: “remover folhas danificadas, lavar cada folha individualmente em água corrente, deixá-las submersas em solução clorada e rinsar bem com água potável”, orienta.

5. Lavar incorretamente

No momento da lavagem para remover sujeira visível em água corrente, deve-se começar pela parte das folhas até a base. Dario explica: “Isso garante que a sujeira escorra para fora ao invés de se acumular nas partes que serão consumidas”.

6. Esquecer de secar a alface

Outro erro frequente é armazenar a alface após lavá-la sem secá-la adequadamente. “Secar as folhas diminui o risco de escurecimento e murchamento”, ressalta Samuel.

A umidade favorece o crescimento de fungos e bactérias, acelerando o processo de deterioração. O ideal é usar uma centrífuga própria ou papel toalha limpo para secar antes do armazenamento.

7. Armazenar perto de alimentos crus

Mantê-la próxima a alimentos crus pode gerar risco de contaminação cruzada. Microrganismos presentes em carnes ou ovos podem transferir-se para as folhas da alface.

8. Armazenar inadequadamente

“Guardar a alface molhada ou abrir o recipiente frequentemente contribui para perda da qualidade”, afirma Manuela.

A forma ideal de armazenamento é dentro de um recipiente seco e limpo com papel toalha entre as camadas das folhas para controle da umidade. Caso o papel toalha fique úmido, deve ser trocado regularmente — idealmente a cada dois ou três dias — conforme sugere Dario.

A gaveta destinada às hortaliças na geladeira é o local mais apropriado devido às condições ideais de temperatura e umidade”, finaliza a professora.

By Franca 24 Horas

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