Setor automotivo enfrenta desafios na adaptação de lavagens para veículos elétricos

A crescente presença de veículos elétricos e híbridos no Brasil está transformando o panorama do setor automotivo, especialmente no que diz respeito aos serviços de lavagem de automóveis.

Especialistas da área afirmam que a inovação tecnológica nos carros demanda não apenas adaptações operacionais, mas também um aprimoramento técnico e uma infraestrutura adequada nos postos de combustíveis.

Márcia Santos, da Aliare Consultoria, ressalta que o mercado ainda carece de preparação para atender às exigências trazidas por esses novos tipos de veículos, que apresentam sistemas avançados de automação e proteção.

“Estamos adentrando em uma nova fase da mobilidade. Veículos elétricos e híbridos não devem ser tratados como os tradicionais. Eles possuem tecnologias integradas que requerem protocolos específicos para lavagem e segurança. Aqueles que não se adaptarem a essas demandas ficarão para trás”, alerta.

Tecnologia integrada

Um exemplo emblemático dessa transformação é encontrado em sistemas automatizados presentes em veículos tecnologicamente avançados, como o modo Carwash, utilizado por marcas como a Tesla.

Esse sistema é capaz de reconhecer quando o carro está em uma estação de lavagem automática, ativando mecanismos protetores que vedam entradas de água e ajustam configurações internas para prevenir danos.

De acordo com Márcia, essa tecnologia redefine completamente os padrões operacionais das lavagens. “Não se trata apenas de eficiência ou rapidez. Estamos falando sobre segurança tecnológica. A lavagem deve interagir com o veículo, literalmente”, enfatiza.

Além da complexidade tecnológica, o setor enfrenta desafios relacionados à adaptação em larga escala. Com o aumento significativo nas vendas de veículos elétricos no país, impulsionado por fabricantes como BYD e GWM, a demanda por serviços especializados deverá crescer rapidamente nos próximos anos.

Aumento da frota exige preparação nas lavagens

Projeções indicam que a BYD pode passar de aproximadamente 20 mil veículos vendidos em 2025 para cerca de 250 mil em 2026 no Brasil, pressionando toda a cadeia de serviços automotivos a se modernizar.

“A tecnologia deve ser acompanhada pela tecnologia na lavagem. Processos manuais lentos e desconectados da realidade dos veículos modernos não têm mais espaço. O setor precisa evoluir na mesma velocidade da indústria automobilística”, reforça Márcia.

<pOutro aspecto destacado pela especialista é a necessidade de mudança na mentalidade operacional dos postos de combustíveis. Para ela, os serviços de lavagem automotiva deixaram de ser secundários e agora fazem parte de uma lógica voltada para eficiência e experiência do consumidor.

Ponto decisivo

“Atualmente, não há mais espaço para serviços que levem 40 minutos ou uma hora. A vida nas grandes cidades demanda agilidade. Com sistemas automatizados, conseguimos reduzir o tempo médio de lavagem para cerca de seis minutos, garantindo padronização, segurança e controle operacional”, explica.

Márcia acredita que o setor está em um ponto decisivo. A combinação entre eletrificação da frota, automação e novas expectativas dos consumidores cria um cenário onde a adaptação não é opcional.

“Aqueles que não estiverem prontos para essa nova demanda ficarão para trás. Estamos diante de uma transformação estrutural no mercado dos serviços automotivos”, conclui.

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By Franca 24 Horas

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