O uso do parcelamento no cartão de crédito tem se tornado uma prática cada vez mais comum entre os brasileiros. Uma pesquisa realizada pelo Banco Central, intitulada “O brasileiro e sua relação com o dinheiro”, revelou que esse meio de pagamento ocupa a quarta posição em popularidade no país, sendo superado apenas pelo Pix, pelo cartão de débito e pelo dinheiro em espécie.
Dos 2 mil entrevistados, 51,6% afirmaram utilizar essa forma de pagamento. Nesse contexto, é fundamental compreender em quais situações o parcelamento pode auxiliar na organização financeira e quando ele pode representar um risco para o orçamento pessoal ou até mesmo aumentar o índice de inadimplência.
A gerente de cobrança da Recovery, Keila Patricia Rodrigues, exemplifica: “Um caso simples é a compra de itens do cotidiano, como alimentos e produtos de higiene. Nesses casos, o ideal é evitar parcelar o valor, pois esses produtos são consumidos rapidamente e precisam ser repostos frequentemente. A disciplina nas pequenas escolhas diárias é fundamental para garantir segurança financeira ao longo do tempo.”
Keila também detalha quando é vantajoso optar pelo parcelamento e quando deve ser evitado. Confira:
Quando vale a pena realizar uma compra planejada
Se a compra for planejada e não envolver juros, dividir o pagamento pode ser uma alternativa interessante. Ter clareza sobre os valores mensais a serem pagos permite ao consumidor gerenciar melhor seu fluxo de caixa sem comprometer uma quantia significativa de uma só vez.
Ademais, o parcelamento se torna uma opção viável na aquisição de bens duráveis e de alto valor, como eletrodomésticos e eletrônicos.
Quando o parcelamento sem juros representa economia
Caso as parcelas sejam equivalentes ou muito próximas do valor à vista, optar por essa forma de pagamento pode resultar em vantagens financeiras. É essencial avaliar não apenas a ausência de juros, mas também como as parcelas impactarão o orçamento nos meses seguintes.
Outra estratégia é parcelar a compra mesmo possuindo o montante total disponível. Essa abordagem permite que o consumidor mantenha seu capital investido em aplicações de baixo risco enquanto paga as parcelas sem juros.
Se os rendimentos obtidos superarem eventuais benefícios oferecidos pelo pagamento à vista — como descontos — essa opção pode ser atraente. Contudo, é importante ressaltar que essa técnica requer disciplina financeira para evitar que os fundos reservados sejam utilizados para outras despesas.
“O problema não está em parcelar, mas sim em decidir impulsivamente sem considerar como isso impactará os meses seguintes”, explica Keila.
Ela acrescenta: “Quando fazemos uma pausa para refletir se a compra realmente cabe no nosso orçamento e se vale a pena, o parcelamento deixa de ser um caminho rápido para ‘resolver agora’ e passa a ser um aliado na gestão das finanças.”
Quando optar pelo parcelamento pode resultar em economia
A utilização do cartão de crédito para parcelar compras também pode estar relacionada à economia. Por exemplo, se um eletrodoméstico essencial quebrar e o custo do conserto ultrapassar o valor de um novo aparelho, investir na troca pode ser mais vantajoso a longo prazo.
Muitos cartões oferecem benefícios como cashback — que devolve parte do gasto nas compras — além de programas de milhas e acesso a salas VIP em aeroportos durante viagens.
Quando deve-se evitar o parcelamento?
Algumas perguntas são cruciais antes de decidir por uma compra parcelada no cartão: Qual percentual do meu orçamento será comprometido? Já tenho outras compras parceladas? O produto adquirido terá uma durabilidade maior que o período das parcelas? Mesmo sem juros, uma compra dividida reduz o limite disponível do cartão até que todas as parcelas sejam quitadas, limitando assim recursos para emergências ou despesas inesperadas.
A especialista esclarece: “Um aspecto frequentemente mal compreendido é que o limite do cartão não diz respeito apenas à fatura mensal; ele representa todo o teto dos compromissos ativos. Ao optar por parcelar — mesmo sem juros — as futuras parcelas já consomem parte desse limite até serem pagas integralmente. Portanto, antes de finalizar uma compra, é prudente simular quanto do limite total ficará comprometido nos meses seguintes e verificar se ainda há margem para lidar com imprevistos.”
A atenção ao pagamento da fatura também é vital. Se o consumidor não conseguir quitar todo o valor devido poderá cair no crédito rotativo ou precisar parcelar a fatura — opções que costumam ter taxas altas.
Diversos fatores podem levar a compras impulsivas; portanto, a principal recomendação é enxergar o parcelamento como uma ferramenta estratégica e não como uma extensão da renda disponível.
O post Como evitar se tornar refém das compras parceladas no cartão de crédito: Dicas valiosas apareceu primeiro em Jornal da Franca.