Com o aumento das vendas financiadas no setor varejista, ter um nome limpo deixou de ser o único fator determinante para a aprovação de crédito.
Agora, a análise considera mais fortemente aspectos como número excessivo de parcelas, atrasos recentes nos pagamentos, inconsistências nos dados cadastrais e comprometimento da renda.
A Top One Financeira, que já processou mais de R$ 3 bilhões em pedidos de crédito em todo o país, registrou um crescimento significativo de 14,6% nas vendas por meio do crediário no primeiro trimestre de 2026. O valor médio por operação alcançou R$ 1.543.
A expansão do crediário no varejo também tem elevado os critérios utilizados pelas instituições financeiras na análise de crédito.
Aprovação limitada
Um levantamento realizado pela Top One Financeira revelou que as vendas via crediário aumentaram 14,6% no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior, com um ticket médio de R$ 1.543 por transação.
Apesar do crescimento na demanda, apenas 33,8% dos clientes que eram elegíveis conseguiram a aprovação do crédito nesse intervalo.
Esse dado evidencia que estar livre de restrições no CPF não garante a liberação do crédito; fatores como renda comprometida, score baixo ou instável, quantidade elevada de consultas ao CPF, inconsistências nos dados cadastrais e um histórico recente de atrasos ou renegociações também influenciam essa decisão.
Vanderley Cardoso de Moraes, CEO da Top One Financeira, destaca que a ausência de restrições é apenas o primeiro passo na avaliação do crédito.
Riscos associados ao crédito
“Ter um nome limpo é benéfico, mas não assegura a aprovação. A instituição financeira precisa analisar se o consumidor possui renda disponível para novos compromissos financeiros, se já tem muitas parcelas em aberto e se as informações cadastrais são consistentes. Além disso, o comportamento recente deve demonstrar capacidade de pagamento. Muitas negativas ocorrem não por causa de dívidas em aberto, mas devido ao conjunto das informações que apresenta um risco elevado para uma nova operação”, argumenta Moraes.
De acordo com a Top One Financeira, os principais fatores que impactam a análise de crédito e elevam o risco de inadimplência incluem:
- Renda comprometida com outras parcelas: Quando uma parte significativa da renda já está destinada a financiamentos ou empréstimos em andamento, a instituição considera que há menos espaço para assumir uma nova dívida.
- Score baixo ou instável: Mesmo sem restrições financeiras, uma pontuação baixa pode refletir um histórico irregular no pagamento ou atrasos frequentes.
- Múltiplas consultas ao CPF em curto espaço: Tentativas recentes excessivas para obter crédito podem indicar uma busca intensa por financiamento e aumentar a percepção de risco da instituição financeira.
- Dados cadastrais inconsistentes ou desatualizados: Divergências nas informações pessoais como renda, endereço e telefone dificultam a validação e podem impedir a aprovação do crédito.
- Histórico recente de atrasos ou renegociações: Mesmo que as dívidas tenham sido quitadas, atrasos frequentes ou renegociações podem prejudicar a avaliação da capacidade financeira do consumidor.