Endividamento das famílias brasileiras atinge nível recorde em 16 anos

O fenômeno do endividamento é uma realidade que afeta milhões de brasileiros atualmente. Em um contexto consumista, marcado pela ampla oferta de produtos e serviços, além da facilidade de acesso ao crédito e constantes estímulos publicitários, torna-se essencial aprender a gerenciar o dinheiro de forma eficaz.

Conforme divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em abril de 2026, a taxa de endividamento alcançou 80,9% das famílias brasileiras, estabelecendo assim um novo recorde desde 2010.

Esse aumento no endividamento também trouxe consigo uma elevação na inadimplência, que atingiu 29,7% das famílias com contas em atraso entre 30 e 90 dias.

Cartão de crédito

Dentre as diversas formas de dívida existentes, o cartão de crédito é responsável pela maior fatia, seguido por dívidas relacionadas a carnês de loja, empréstimos pessoais e financiamentos de veículos e imóveis. Rodrigo Nocera, diretor da Febracis Ribeirão Preto, destaca que o endividamento é impulsionado tanto por fatores econômicos quanto comportamentais.

“Com a Selic em alta, o custo do crédito aumenta, resultando em parcelas mais elevadas e acúmulo de dívidas. Além disso, o aumento no custo de vida – especialmente em itens essenciais como alimentos e combustíveis – compromete a renda familiar, levando muitos a utilizarem o cartão de crédito para suprir necessidades básicas”, explica Nocera.

A educação financeira surge como uma possível solução para essa problemática; no entanto, nem todos têm acesso a esse tipo de conhecimento. Uma pesquisa realizada pela Febraban com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE) revela que 55% da população brasileira tem pouco ou nenhum entendimento sobre finanças.

No município de Ribeirão Preto, a situação reflete a realidade nacional. Dados do Serasa indicam que ao final de 2025, mais de 300 mil moradores estavam inadimplentes, o que representa cerca de 43% da população local. Esse dado reforça a urgência por iniciativas focadas em educação financeira e consumo consciente.

Busca por capacitação

Em resposta ao crescente índice de endividamento, observa-se um aumento significativo na procura por conhecimentos que ajudem na reorganização das finanças pessoais.

A educação financeira deixou de ser um mero diferencial e agora é vista como fundamental para melhorar a qualidade de vida, impactando não apenas as finanças individuais mas também a saúde emocional e o bem-estar das famílias.

Um exemplo dessa busca por capacitação é o curso Inteligência Financeira (IF), promovido pela Febracis Ribeirão Preto entre os dias 20 e 22 de maio.

Organização do orçamento

A formação abrange diversos tópicos relevantes como gestão orçamentária, estratégias para eliminar dívidas, formas de lidar com a ansiedade financeira, mudança na mentalidade sobre consumo e definição de objetivos financeiros tanto para curto quanto para longo prazo.

Nocera ressalta que muitas vezes o descontrole financeiro está relacionado à maneira como as pessoas interagem com o dinheiro no cotidiano.

“A maioria das decisões financeiras é tomada com base nas emoções. Ansiedade, impulsividade e falta de planejamento afetam diretamente as finanças familiares. Portanto, desenvolver inteligência financeira requer uma mudança na mentalidade e decisões mais conscientes”, conclui.

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By Franca 24 Horas

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