Pesquisa revela que cápsulas de ômega-3 não asseguram proteção cerebral contra demência em pacientes com hábitos prejudiciais (Foto Arquivo)
A expectativa de que suplementos de ômega-3, provenientes de óleo de peixe ou algas, atuem como uma barreira protetora contra doenças como Alzheimer e demência foi recentemente questionada por novas evidências científicas.
Um estudo clínico controlado randomizado, publicado na revista ebioMedicine, parte da respeitada publicação The Lancet, demonstrou que a ingestão de ômega-3 não trouxe melhorias significativas na memória, nas funções cognitivas ou na preservação das células cerebrais em indivíduos com hábitos alimentares inadequados.
A pesquisa envolveu 365 participantes entre 55 e 80 anos, todos sem sinais de demência, mas apresentando baixos níveis do nutriente no sangue e pelo menos um fator de risco crônico, como obesidade, sedentarismo, hipertensão ou colesterol elevado. Dentro deste grupo, metade era portadora do gene APOE4, associado ao aumento do risco de desenvolver Alzheimer.
Após dois anos de suplementação com altas doses diárias de ômega-3 (2.000 mg), os exames mostraram que o nutriente alcançou o cérebro dos participantes. No entanto, os resultados dos testes cognitivos e das ressonâncias magnéticas não revelaram diferenças significativas entre aqueles que consumiram o suplemento e os que tomaram placebo.
Os pesquisadores afirmam que a suplementação isolada representa “uma gota no oceano” se o paciente continuar a seguir uma dieta ocidental rica em alimentos processados e sofrer com altos níveis de estresse.
O cérebro humano é constituído por até 60% de lipídios, sendo que o ômega-3 é um componente essencial cuja produção é insuficiente pelo corpo. Contudo, a verdadeira chave para a saúde cerebral reside na forma como esse nutriente é incorporado à dieta.
Alimento Integral vs. Cápsula Isolada
Cientistas argumentam que os efeitos positivos do ômega-3 são mais evidentes quando ele é integrado a um estilo de vida saudável, inspirado na dieta mediterrânea. As estratégias para proteger a mente incluem decisões alimentares fundamentais:
Alimentos Naturais: Consumir peixes gordurosos (como salmão e sardinha) e oleaginosas (como nozes e sementes de linhaça ou chia) para obter o nutriente. Os alimentos integrais oferecem uma combinação de proteínas, minerais e vitaminas que as cápsulas não conseguem proporcionar.
Métodos de Preparação: Fritar peixes ou combiná-los com alimentos ultraprocessados pode anular os benefícios do ômega-3 e danificar as moléculas benéficas das gorduras.
Pilares Integrativos: Para que o ômega-3 exerça sua função neuroprotetora eficazmente, é necessário que o organismo esteja em equilíbrio através da prática regular de atividades físicas, sono adequado, interação social e manejo do estresse.
A indústria dos suplementos contesta os resultados do estudo, sugerindo que deve ser examinado dentro do contexto histórico abrangente existente sobre mais de 50 mil publicações relacionando o nutriente a benefícios cognitivos.
Especialistas independentes destacam que a suplementação pode ser benéfica para pessoas saudáveis ou aquelas com o gene APOE4, mas enfatizam que apenas o uso do comprimido não elimina os danos causados por um estilo de vida prejudicial.
Fonte: CNN
O post Mito sobre ômega-3 desmascarado: suplemento não melhora memória nem cognição; entenda apareceu primeiro em Jornal da Franca.