Aumento de 68% nas manutenções de smartphones revela a “herança digital” entre gerações familiares

O preço crescente dos dispositivos móveis e a acessibilidade cada vez mais precoce à tecnologia têm levado as famílias brasileiras a adotarem um novo comportamento: o primeiro smartphone das crianças frequentemente não é comprado, mas sim retirado da gaveta dos pais.

Esse fenômeno, conhecido como “herança digital”, que antes era uma prática informal, agora se estabeleceu como um novo padrão de consumo, impactando o mercado de serviços de manutenção e alterando a durabilidade dos aparelhos no Brasil.

Uma pesquisa realizada pelo Panorama Mobile Time/Opinion Box (2025) revela que a média de idade em que as crianças brasileiras recebem seu primeiro smartphone é de 10 anos e 3 meses.

Esse dado evidencia uma transformação significativa na trajetória dos dispositivos. Mais do que uma simples questão de economia familiar, essa tendência estimula a economia circular.

Um aparelho que antes poderia ser descartado ou esquecido após dois ou três anos de uso agora tem a possibilidade de uma nova vida nas mãos de um usuário mais jovem, com diferentes necessidades e formas de utilização.

A nova demanda das assistências: o “Kit de Revitalização”

O Grupo PLL, especializado no pós-venda de dispositivos móveis, observa esse cenário em sua prática diária. Nos últimos 12 meses, a empresa notou um aumento impressionante de 68% na procura por reparos em modelos mais antigos.

Ainda que essa demanda inclua diversos tipos de usuários, a transferência do aparelho para uso infantil dentro da mesma família se destaca como um dos principais fatores desse crescimento.

Os principais serviços procurados para revitalização incluem:

Telas: Troca de displays danificados ou com pequenas fissuras para garantir a integridade física e funcional do aparelho.

Baterias: Substituição necessária, pois a saúde da bateria é crucial para suportar o uso intensivo de vídeos e jogos.

Carcaça: Renovação das laterais e tampas traseiras para eliminar sinais de desgaste e trazer uma aparência semelhante à de um aparelho novo.

Para Lucas Linhares, cofundador do Grupo PLL, o ciclo de vida útil de um smartphone não se encerra com seu primeiro proprietário; ele se transforma ao longo do tempo.

“Atualmente, o reparo preventivo se tornou uma etapa fundamental nessa transição. O objetivo é garantir que o hardware possa suportar medidas de segurança e controle parental, além de assegurar uma bateria confiável para o dia a dia”, comenta o executivo.

Sustentabilidade tecnológica

Linhares enfatiza que essa manutenção é crucial para prolongar a vida útil do dispositivo frente às exigências tecnológicas atuais.

“Após um ciclo adicional de até dois anos, o aparelho começa a apresentar dificuldades devido à falta de atualizações do sistema ou ao aumento da demanda por memória RAM dos novos aplicativos. A revisão técnica assegura que essa ‘segunda vida’ ocorra com eficiência, evitando que o dispositivo se torne obsoleto rapidamente”, ressalta.

A higiene dos dados também é uma preocupação importante na PLL. Contas logadas e acessos automáticos a aplicativos bancários ou redes sociais podem permanecer vulneráveis se não houver uma limpeza técnica adequada, expondo a privacidade da família inteira.

<pAssim sendo, a manutenção deixa de ser apenas uma resposta a danos e evolui para um planejamento estratégico da sucessão digital, garantindo que esse segundo ciclo de uso mantenha os mesmos padrões elevados de qualidade e segurança presentes em dispositivos novos.

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By Franca 24 Horas

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