O tempo que as crianças dedicam a dispositivos eletrônicos, como celulares e televisores, tem crescido de forma preocupante.
A visão do pediatra Alexander Engelberg, que atua no Grupo São Francisco dentro do Sistema Hapvida, é que essa realidade representa um grande desafio para as famílias e, se não for tratada adequadamente, pode resultar em sérios danos ao desenvolvimento de crianças e jovens.
“Quando as crianças passam mais tempo em frente às telas, elas acabam interagindo menos com seus pais e irmãos, resultando em um isolamento social dentro do lar. Isso pode ser prejudicial em diversos aspectos”, alerta o médico.
Convivência Social
A diminuição da interação social não se limita ao ambiente familiar. A redução do contato nas escolas e entre amigos é outro aspecto preocupante.
“Esse cenário tem contribuído para o surgimento de distúrbios emocionais e comportamentais, como ansiedade, depressão e irritabilidade. Esses problemas também afetam significativamente o apetite das crianças”, detalha Engelberg.
O pediatra observa ainda que a obesidade infantil já apresenta números alarmantes e tem aumentado consideravelmente devido à falta de atividade física. “A inatividade física é uma preocupação crescente”, acrescenta.
Engelberg enfatiza a importância de estabelecer limites na utilização de telas, especialmente com as novas modalidades de ensino adotadas pelas escolas.
“É fundamental que essa prevenção seja uma responsabilidade compartilhada. Pais, educadores e médicos devem atuar juntos para evitar esse tipo de problema”, ressalta.
As diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam que crianças com menos de 2 anos evitem total ou parcialmente a exposição a telas, permitindo apenas contatos breves com familiares à distância segura. Para aquelas entre 2 e 5 anos, o uso deve ser restrito a no máximo uma hora diária. Já os pequenos de 5 a 10 anos podem usar dispositivos por uma ou duas horas diárias, sempre sob supervisão adulta. Para os pré-adolescentes, com idades entre 11 e 18 anos, o limite recomendado é de duas a três horas diárias sem permitir o uso durante a noite.
A preocupação com o uso excessivo das telas não é nova; segundo Engelberg, esse debate já existia antes da pandemia.
“O principal desafio para os pais é encontrar um equilíbrio no tempo permitido para isso. É crucial incentivar hábitos saudáveis e mostrar às crianças a importância das interações reais. Devemos promover um ambiente familiar que minimize o uso de telas”, conclui.
O post Pais utilizam telas para “educar” seus filhos: conheça as diversas consequências disso apareceu primeiro em Jornal da Franca.