A Copa do Mundo de 2026 não será apenas um evento esportivo significativo, mas também marcará a estreia de grandes fraudes digitais potencializadas pela inteligência artificial.
Recentemente, o FBI emitiu um alerta sobre a crescente quantidade de sites fraudulentos que se apresentam como canais oficiais da FIFA. Conforme levantamento realizado pela Group-IB, mais de 4.300 domínios suspeitos têm sido utilizados para golpes relacionados a ingressos, produtos oficiais e transmissões do torneio.
Essa situação é alarmante não apenas pelo número elevado de fraudes, mas também porque a tecnologia está alterando drasticamente as táticas dos criminosos na elaboração e execução de seus ataques.
Golpes com a Inteligência Artificial
“Diferentemente das edições passadas, os golpistas agora utilizam inteligência artificial para automatizar processos que antes demandavam grandes equipes. Eles conseguem criar campanhas fraudulentas com uma velocidade nunca vista, em maior volume e com um nível de personalização impressionante”, destaca Rodolfo Almeida, COO da ViperX.
Estatísticas corroboram essa transformação. Um estudo da Kaseya divulgado em 2026 revela que 83% das campanhas de phishing, nas quais criminosos se fazem passar por entidades confiáveis, já incorporam tecnologias de IA.
Além disso, o levantamento indica que mensagens geradas por inteligência artificial apresentaram taxas de interação muito superiores às das abordagens tradicionais.
A personalização das fraudes pela IA
No passado, os golpistas eram dependentes de envios massivos e genéricos de e-mails. Atualmente, suas táticas são muito mais elaboradas.
A preparação para esses golpes começa meses antes do evento, observando o comportamento dos torcedores em redes sociais, motores de busca, fóruns online, plataformas de apostas e sites relacionados ao futebol.
Com base nessas informações acessíveis ao público, ferramentas alimentadas por IA são capazes de gerar mensagens personalizadas que mencionam seleções específicas, jogadores famosos, cidades sede e até preferências individuais dos usuários.
“Estamos vivendo um momento em que os golpes estão se tornando cada vez mais contextuais. Os criminosos conhecem sua equipe favorita, o conteúdo que você consome e os produtos que busca. A inteligência artificial transforma essas informações em ataques altamente convincentes”, esclarece Almeida.
Como resultado, sinais comuns que ajudavam as vítimas a identificar fraudes — como erros gramaticais ou mensagens impessoais — estão desaparecendo.
O impacto dos deepfakes nas fraudes
Outro aspecto preocupante para especialistas é o avanço dos deepfakes. Com tecnologias atuais de inteligência artificial, é possível criar vídeos e áudios falsos com um realismo impressionante, imitando vozes e expressões faciais de atletas, influenciadores e jornalistas.
Dessa forma, criminosos podem produzir vídeos falsos onde jogadores ou patrocinadores promovem sorteios fictícios ou ofertas enganosas relacionadas ao torneio.
“Antes era mais simples identificar fraudes. Muitas delas apresentavam indícios claros de irregularidades. Com a inteligência artificial, os golpes são bem elaborados e tecnicamente convincentes. O desafio agora é detectar fraudes que aparentam ser legítimas”, alerta o executivo.
Aumento das ameaças nos países sede
A Check Point divulgou dados indicando que Estados Unidos, México e Canadá — países anfitriões da Copa do Mundo em 2026 — têm observado um aumento significativo nos ciberataques direcionados a organizações. No México, a média semanal ultrapassou 3.500 tentativas de ataque por entidade monitorada.
Embora muitas dessas ofensivas visem empresas ligadas ao evento, especialistas ressaltam que consumidores continuam sendo alvos vulneráveis para os golpistas.
Dentre as principais ameaças estão: websites fraudulentos para venda de ingressos, promoções enganosas associadas aos patrocinadores oficiais, golpes relacionados a apostas esportivas e aplicativos falsos voltados à Copa do Mundo. Além disso, há casos de phishing via WhatsApp, SMS e correio eletrônico; utilização de deepfakes para criar campanhas falsas; e roubo de credenciais financeiras e carteiras digitais.
Dicas para minimizar riscos
Na visão de Almeida, a proteção contra essas fraudes reside na união entre informação e precaução.
“A Copa do Mundo em 2026 provavelmente será o maior teste já realizado para o uso da inteligência artificial em ataques digitais. É fundamental que os torcedores compreendam que esses ataques são cada vez mais convincentes porque são estruturados para parecer autênticos. Manter uma atitude desconfiada continua sendo uma das melhores formas de segurança”
Dentre as recomendações estão: acessar apenas canais oficiais da FIFA e patrocinadores; verificar URLs antes de efetuar pagamentos; desconfiar de promoções ou ingressos com preços muito abaixo do esperado; evitar clicar em links recebidos por mensagem; e ativar autenticação multifatorial em contas online.
O post Alerta do FBI sobre fraudes: mais de 4.300 sites falsos miram seu dinheiro apareceu primeiro em Jornal da Franca.