Cientistas do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal da Universidade de Franca (Unifran) realizaram uma investigação que revela um tratamento natural promissor para a mastite bovina, uma infecção recorrente e prejudicial à pecuária leiteira.
O estudo, que será publicado na revista internacional Antonie van Leeuwenhoek em abril de 2026, analisou uma formulação à base de óleo essencial da planta Palo Santo, mostrando eficácia até mesmo contra uma superbactéria resistente aos antibióticos convencionais.
A questão se torna ainda mais crítica devido ao anúncio da União Europeia, que poderá interromper as importações de produtos de origem animal do Brasil a partir de 3 de setembro de 2026, caso o país não prove a diminuição do uso de antimicrobianos na criação de gados.
Sobre a pesquisadora
A pesquisa foi conduzida por Amanda Marques Figueiredo durante seu mestrado em Ciência Animal, sob a supervisão do professor Silvio Almeida-Junior na Unifran.
Para viabilizar o tratamento, a equipe utilizou tecnologias avançadas para transformar o óleo essencial do Palo Santo em uma nano emulsão. Essa técnica organiza o óleo em gotículas minúsculas, aumentando sua durabilidade e eficácia contra os microrganismos responsáveis por infecções.
A formulação foi testada em laboratório contra dez tipos diferentes de microrganismos isolados de amostras de leite coletadas em propriedades leiteiras. Os resultados revelaram que o produto natural demonstrou alta eficácia contra bactérias como Staphylococcus aureus, incluindo uma linhagem resistente a medicamentos (MRSA).
Declarações da pesquisadora
“Os resultados do nosso estudo indicam que uma formulação baseada em produtos naturais conseguiu inibir alguns dos principais microrganismos associados à mastite, inclusive cepas resistentes”, comentou Amanda Marques Figueiredo.
“Este é apenas o início para novas investigações, e não uma indicação para uso imediato nas fazendas. A redução responsável dos antimicrobianos requer prevenção, diagnósticos precisos e alternativas cientificamente comprovadas”, acrescenta a pesquisadora.
Apesar dos resultados encorajadores, observou-se que o efeito da formulação não foi uniforme, apresentando menor sensibilidade contra bactérias como Escherichia coli, Corynebacterium bovis e Streptococcus uberis, reforçando assim a necessidade de um diagnóstico veterinário adequado para cada situação.
Nos testes iniciais realizados em laboratório, a formulação não mostrou sinais de toxicidade ou efeitos colaterais significativos e também evidenciou capacidade no alívio da dor.
Ainda sem testes diretos em vacas
No entanto, os pesquisadores alertam que os experimentos ainda não foram realizados diretamente em bovinos. Não foram determinadas doses comerciais ou avaliados os impactos dos resíduos no leite. Isso implica que o produto ainda não é autorizado para uso prático nas fazendas e requer etapas adicionais de pesquisa antes de ser disponibilizado no mercado.
A pesquisa integra um esforço mais amplo da Unifran para desenvolver alternativas que reduzam a dependência de antibióticos convencionais, alinhando-se ao conceito global de “Saúde Única”, que abrange as esferas animal, humana e ambiental.
O programa também investiga o potencial de outras substâncias naturais, como o óleo essencial de canela.
Ainda que essa descoberta não elimine imediatamente as barreiras alfandegárias com a Europa, ela representa um compromisso da ciência brasileira em oferecer soluções sustentáveis no médio e longo prazo para garantir a competitividade da pecuária nacional e promover alimentos mais seguros.
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