No dia 25 de setembro, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) lançou duas consultas públicas com foco na utilização do Wi-Fi na faixa de 6 GHz em áreas externas, incluindo inovações como o Wi-Fi 7.
Esse debate regulatório destaca uma questão que já impacta o cotidiano das empresas: à medida que a frequência aumenta, o sinal enfrenta maiores dificuldades para atravessar barreiras como paredes, vidros e móveis. Essa dinâmica é o que explica a eficiência da rede em uma sala de reunião e a sua fragilidade em um ambiente adjacente.
As empresas estão otimistas em relação ao tema. Uma pesquisa realizada pela Wireless Broadband Alliance (WBA) revela que 65% dos representantes do setor corporativo veem a disponibilidade do 6 GHz como fundamental ou essencial para o futuro do Wi-Fi nos negócios.
José Miguel, Gerente de Pré Vendas da Unentel, observa que a natureza do desafio se transformou. “Anteriormente, a conectividade nas empresas dependia de cabos, onde os problemas estavam relacionados ao tipo de cabeamento e à distância. Atualmente, o Wi-Fi desempenha esse papel, transmitindo informações pelo ar através de ondas de rádio que perdem força ao longo do caminho. É semelhante a tentar sintonizar uma estação FM durante uma viagem: em determinados trechos, o sinal piora ou desaparece”, esclarece.
Absorção e reflexão
Na prática, diversos fatores contribuem para a perda do sinal: ele pode ser absorvido pelo ar, por paredes, janelas, móveis e até mesmo por pessoas. Além disso, há situações em que o sinal é refletido — quando é desviado e permanece no ambiente — ou refratado, mudando sua trajetória ao transitar entre diferentes meios, como do ar para um vidro.
A presença de equipamentos que operam em frequências semelhantes também gera interferências. Por essa razão, estar próximo ao ponto de acesso não garante necessariamente uma conexão estável e optar por um plano de internet mais veloz nem sempre resolve as questões de desempenho.
Outro fator relevante é o número de dispositivos conectados simultaneamente. Em uma sala de reunião podem coexistir laptops, smartphones, televisores e sistemas de videoconferência competindo por banda em um espaço reduzido.
A crescente demanda por velocidade tem impulsionado a adoção de frequências superiores como o 6 GHz, introduzidas com as tecnologias Wi-Fi 6E e Wi-Fi 7. Contudo, quanto maior for a frequência utilizada, mais difícil se torna para o sinal atingir seu destino final; assim sendo, essas inovações frequentemente requerem um maior número de pontos de acesso para alcançar o desempenho desejado.
Demandas diferentes
“Aqueles que investem em soluções Wi-Fi corporativas esperam retorno financeiro, o que exige um planejamento cuidadoso da rede antes da sua implementação”, afirma o especialista.
Esse planejamento envolve considerar a tecnologia adequada, as características do ambiente, a quantidade de usuários e os tipos de dispositivos conectados. Muitas dessas etapas podem ser realizadas remotamente.
No entanto, algumas etapas necessitam do chamado site-survey: um levantamento conduzido por um técnico no local para identificar interferências e barreiras físicas além dos melhores locais para instalação dos equipamentos.
A análise deve levar em conta ainda a movimentação das pessoas e as atividades específicas desenvolvidas em cada espaço; por exemplo, uma sala destinada a videoconferências apresenta exigências distintas das que se aplicam a um corredor, especialmente durante horários críticos.
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