Desvendando o golpe dos empréstimos fraudulentos: dicas para se proteger das armadilhas mais frequentes

Com a inadimplência atingindo níveis alarmantes, 81,7 milhões de brasileiros estavam com o nome em situação negativa em fevereiro, conforme dados do Serasa. Nesse cenário, os criminosos têm evoluído suas táticas, transformando a promessa de dinheiro fácil em uma lucrativa rede de fraudes.

Um relatório global da BioCatch indicou que entre 2024 e 2025, os golpes aumentaram em 65% ao redor do mundo, com o Brasil se destacando como a nação mais afetada na América Latina.

Entretanto, um dado preocupante que chamou a atenção no sistema financeiro é que até novembro de 2025, os golpes realizados através do Pix já totalizavam impressionantes R$7,2 bilhões.

Esse valor revela a complexidade das novas abordagens criminosas que convencem as vítimas a realizarem transferências por conta própria.

A nova face do “golpe do empréstimo” e engenharia social

Entre as diversas modalidades de fraudes, o “falso empréstimo” é um dos mais cruéis. Os golpistas utilizam a urgência e o desespero financeiro das vítimas para se passar por instituições financeiras legítimas ou fintechs, prometendo crédito com condições absurdas como juros extremamente baixos e sem consulta ao SPC/Serasa.

Anteriormente, os criminosos solicitavam depósitos em contas de terceiros; atualmente, a tática é mais ágil e complexa de rastrear.

O golpe mais comum nesse contexto é o da taxa antecipada: após assegurar à vítima que o empréstimo foi aprovado, o falso consultor pede um pagamento via Pix para “liberar o crédito” ou “cobrir o IOF”. Assim que o valor é transferido, o criminoso desaparece sem deixar rastros.

Rápido e difícil de rastrear

A rapidez proporcionada pelo Pix permite que os valores sejam distribuídos em contas laranjas em questão de segundos, tornando quase impossível qualquer bloqueio”, alerta Thaíne Clemente, executiva da Simplic, uma fintech dedicada a crédito pessoal totalmente online.

Diante da gravidade desse problema, o governo federal lançou em dezembro de 2025 um plano abrangente da Aliança Nacional de Combate a Fraudes Bancárias Digitais, com 23 medidas focadas na prevenção e repressão dessas práticas fraudulentas.

Além disso, novas diretrizes do Banco Central começaram a valer em fevereiro deste ano. Elas estabelecem o bloqueio automático de contas assim que uma fraude for reportada pelo aplicativo bancário. Essa medida cria um mecanismo para rastrear e tentar recuperar valores antes que desapareçam no ambiente digital.

Dicas para evitar cair em fraudes

Apesar das melhorias nas regulamentações, muito ainda depende das ações dos usuários. A pesquisa da BioCatch também revelou um crescimento de 14 vezes nos golpes realizados por SMS e um aumento surpreendente de 830% no uso de deepfakes no Brasil. Isso demonstra que os criminosos estão investindo pesado em tecnologia para enganar até mesmo os mais cautelosos.

Portanto, antes de qualquer transação financeira, é fundamental que o consumidor busque confirmar as informações pelo canal oficial da instituição — seja através do aplicativo, site ou telefone registrado no Banco Central — assegurando-se da veracidade da oferta.

Conforme ressalta Thaíne: “golpistas são experts na criação de sites e perfis falsos que imitam perfeitamente a identidade visual dos bancos conhecidos. Digitar diretamente o endereço do portal oficial no navegador ao invés de clicar em links recebidos pode ser a diferença crucial entre segurança e prejuízo”.

Medidas essenciais para proteção

Outro aspecto importante é a proteção dos dados pessoais. Nenhuma instituição financeira legítima solicita senhas, códigos de verificação ou selfies com documentos por telefone ou mensagens instantâneas.

Quando um suposto atendente pressiona a vítima a compartilhar esses dados sob pretextos como “agilizar aprovação” ou “liberar valores”, isso deve acender um sinal vermelho para possíveis fraudes.

Resistir à pressão imediata e permitir-se pausar para pesquisar ou consultar alguém confiável pode ser uma defesa eficaz contra esses ataques.”

Finalmente, Thaíne enfatiza que promover educação financeira é fundamental para combater esse tipo de crime.

“Conhecer os limites pessoais de crédito, compreender como funcionam realmente as instituições financeiras e manter contato direto com bancos ou fintechs confiáveis são hábitos que diminuem consideravelmente a vulnerabilidade. Dada a atraente promessa de crédito fácil frequentemente utilizada pelos golpistas, cultivar uma desconfiança saudável e praticar verificações regulares tornam-se as melhores estratégias defensivas”, conclui.

By Franca 24 Horas

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