A ansiedade de Antônia Pugliesi Borges aumenta à medida que o vestido da princesa é finalizado. Em breve, a jovem de 13 anos deixará sua posição na arquibancada e se tornará Floripes, a figura mais representativa das Cavalhadas, um evento tradicional da cidade.
O pai dela, Guilherme Borges, também participará da encenação, interpretando o Rei Mouro, papel que é essencial para a narrativa medieval.
Essa experiência carrega uma forte conexão familiar. Anteriormente, sua irmã Maria Vitória assumiu o mesmo papel. Antônia cresceu assistindo aos ensaios e apresentações com seu pai, fascinada pelos cavaleiros, as cores vibrantes e a atmosfera festiva que transformam as Cavalhadas em um evento de união familiar.
Uma tradição familiar
“Ver minha irmã como princesa intensificou ainda mais meu desejo de participar. Crescemos acompanhando as Cavalhadas e sentimos que todos aqui formam uma grande família. Estou muito empolgada e nervosa.”
Antônia é a única mulher entre os 27 cavaleiros que compõem a encenação e montará Enigma, um cavalo que conhece desde os cinco anos. Desde pequena acostumada com a vida nos estábulos, ela revela que seu maior desafio não será montar o animal, mas sim lidar com as emoções de assumir um papel tão significativo para sua família.
Seu pai compartilha dessa expectativa. “Nos ensaios, quando ela interpreta as falas da princesa, eu já me emociono. Só o fato de assistir me toca profundamente. É uma grande honra fazer parte das Cavalhadas e contribuir para preservar essa tradição.”
Conflito medieval
A narrativa apresentada remonta aos embates entre cristãos e mouros. De um lado estão os cavaleiros cristãos, vestidos em azul e liderados por Carlos Magno; do outro lado estão os mouros em vermelho, sob o comando do Sultão de Constantinopla.
No cerne da história está Floripes, filha do Sultão, que é capturada pelos cristãos e levada ao castelo, desencadeando uma série de desafios e conflitos que perduram na memória popular há séculos.
As Cavalhadas da Franca são realizadas desde 1831 e em 2026 celebrarão 195 anos desse rico legado cultural. Mais do que uma representação histórica, elas simbolizam um patrimônio cultural construído por famílias que transmitem seus papéis de geração em geração.
Nesse ano, outro novato se junta à festa: Estevão Jacintho Betarello, com apenas sete anos, será um dos príncipes mais jovens a participar das Cavalhadas.
Uma herança familiar
Ele encarnará os mouros, seguindo os passos do bisavô e tataravô enquanto seu pai, Murilo, fará sua estreia defendendo os cristãos. Davi Durigan também representa a nova geração ao participar do espetáculo junto com membros da sua família; seus tios Murilo e Danilo são corredores das Cavalhadas.
Mario de Castro, presidente do Clube das Cavalhadas da Franca e intérprete do Rei Cristão neste ano, destaca que essa manifestação cultural continua a cativar o público mesmo após quase dois séculos de existência.
“Estamos organizando um espetáculo muito especial e convidamos toda a comunidade para prestigiar mais esta edição das Cavalhadas da Franca. Esse evento é um patrimônio cultural da nossa cidade que atravessa quase duas gerações de história e tradição.”
Com suas montarias majestosas, figurinos deslumbrantes e teatro ao ar livre envolvendo famílias inteiras dedicadas ao espetáculo, as Cavalhadas chegam aos 195 anos reafirmando seu status como uma das manifestações culturais mais tradicionais e duradouras no Brasil.
SERVIÇO
195ª Cavalhadas da Franca
Parque de Exposições Fernando Costa – Franca (SP)
Av. Doutor Flávio Rocha, 500
Dias 1º e 2 de agosto de 2026
Sábado, 1º – 20h
Domingo, 2 – 14h
Patrocinadora Oficial: Prefeitura Municipal de Franca