Governança se destaca com a IA dominando 80% das principais corporações americanas

Atualmente, 80% das empresas que compõem a lista Fortune 500 já incorporaram agentes de Inteligência Artificial (IA) em suas operações.

Conforme o relatório Cyber Pulse, elaborado pela Microsoft, a utilização desses agentes não se restringe a tarefas técnicas, mas também abrange áreas como vendas, finanças, segurança, atendimento ao cliente e inovação de produtos.

A rápida integração da IA por grandes corporações traz à tona preocupações relacionadas à privacidade, segurança da informação e conformidade com legislações vigentes.

Esse cenário impõe um desafio: preparar as equipes para operar essa tecnologia em conformidade com as normas e leis estabelecidas.

Por isso, treinamentos focados em compliance e boas práticas de governança corporativa se tornam fundamentais para promover o uso responsável da tecnologia. Isso inclui princípios, regras e processos que definem a gestão, controle e supervisão das organizações.

Perigos da IA autônoma

A atuação autônoma da IA transforma os riscos de meramente técnicos para questões de governança. Muitos dos agentes utilizados nas empresas são desenvolvidos pelos próprios funcionários através de ferramentas de low-code e no-code.

“Isso implica que decisões significativas sobre processos, dados e pessoas estão sendo tomadas fora do alcance das áreas de compliance e jurídico”, observa Marcelo Erthal, CEO do click Compliance.

Ele ainda explica que o fenômeno conhecido como Shadow AI gera novas camadas de risco ao permitir que os agentes herdem permissões e acessem informações sensíveis, frequentemente sem o conhecimento das equipes de TI e segurança.

No Brasil, essa situação é ainda mais alarmante, pois a expectativa é que o Marco Regulatório da IA seja aprovado em breve. As empresas que não estabelecerem uma estrutura adequada de governança antes da implementação da lei podem enfrentar dificuldades em atender às exigências mínimas de rastreabilidade e controle estipuladas pela nova regulamentação”, alerta Erthal.

Legislação sobre Inteligência Artificial

No Brasil, o Projeto de Lei n.º 6.237/2025 visa instituir o Sistema Nacional para Desenvolvimento, Regulação e Governança da Inteligência Artificial (SIA).

Este projeto está vinculado ao Marco Legal da Inteligência Artificial (PL 2338/2023), que tem como finalidade estabelecer diretrizes políticas e estratégicas. A proposta designa a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) como reguladora residual para setores sem órgãos fiscalizadores específicos.

Dessa maneira, busca-se reduzir conflitos institucionais e assegurar segurança jurídica ao aliar inovação econômica à proteção dos direitos fundamentais e à soberania digital do Brasil.

Compliance na prevenção de falhas

A implementação de um programa de compliance pode ser crucial na prevenção de falhas associadas ao uso da IA. O processo deve ir além da simples criação de uma política de uso; é essencial ter visibilidade sobre as operações realizadas.

Dados do Gartner indicam que apenas 13% das empresas possuem uma governança sólida para os agentes de IA. Esse número evidencia que a maioria das organizações desconhece quais ferramentas seus colaboradores estão utilizando, assim como os dados envolvidos e suas finalidades.

Além disso, 29% dos profissionais admitiram ter utilizado agentes de IA não autorizados no ambiente corporativo. Isso demonstra que o risco não reside apenas na tecnologia em si, mas também nas ações humanas envolvidas.

“Um programa eficaz de compliance voltado para a IA deve mapear todos os agentes existentes, definir quem tem autorização para criá-los e utilizá-los, estabelecer trilhas claras para auditoria e oferecer treinamento adequado aos colaboradores”, destaca Erthal.

Adoção segura

Erthal afirma que treinamentos em compliance, voltados para um uso responsável da IA, são fundamentais para conscientizar os usuários sobre as obrigações legais decorrentes das interações com esses agentes. “Essa compreensão é o que transforma uma adoção acelerada em uma adoção segura.”

Jack Quantrill, diretor de experiência de aprendizagem na Learning Pool, ressalta: “o conteúdo gerado por IA carece do rigor jurídico necessário no treinamento de compliance.”

A governança recomendada para empresas que utilizam IA deve basear-se em quatro pilares principais. O primeiro envolve a criação e classificação do inventário dos sistemas de IA utilizados, incluindo aqueles desenvolvidos internamente pelos colaboradores.

O segundo pilar consiste na definição clara dos critérios de risco, diferenciando aplicações com baixo impacto das que influenciam decisões acerca das pessoas ou manipulam dados sensíveis.

A terceira etapa refere-se à implementação de canais internos para reportar problemas e estabelecer responsabilidades claras por cada agente em funcionamento. Por fim, o quarto pilar se concentra na criação contínua de programas educacionais que alinhem a equipe às políticas internas e à legislação vigente.

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By Franca 24 Horas

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